acaso e necessidade.


lentes ocultas
agosto 5, 2009, 2:04 am
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Um dos caras de quem eu sempre fui fã neste mundo web é um fotógrafo #dica da Mariana Hummel. Eu não sei o nome dele, muito menos de onde ele é, mas, no Flickr, ele é Razorbern. Desde que vi as primeiras fotos dele, percebi que rolava muuuuuita manipulação digital. O meu tal ídolo oculto viaja o mundo todo e tem galerias tão sensacionais que me emudecem imediatamente.

Talvez o cara seja muito mais conhecido na web do eu imagino, e talvez existam muitas controvérsias sobre o uso do Photoshop nas suas fotos, mas isso é o que menos interessa. O que eu queria mesmo, com esse post, era prestar uma homenagem a tamanha sensibilidade visual. É comum a gente se emocinar vendo um filme, lendo um livro… mas não tão comum ser tocado dessa forma por uma fotografia.

Veja abaixo uma seleção pessoal (se é que é possível aplicar outro critério).

NYmorrocorocinha



Grande sertão: veredas.
agosto 4, 2009, 4:45 am
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real

Guimarães Rosa.



Lá vai.
agosto 4, 2009, 3:19 am
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Saí pra lanchar com uma amiga e conversamos sobre medos, passaradas, balões, lembranças. Ela, que mora com o namorado há uns dois anos, contava que as idas e vindas dele por cidades do país, em viagens a trabalho, começava a acionar o radarzinho feminino: “não posso ficar à espera a vida toda. E quando eu tiver meus filhos, o pai vai estar aqui uma semana e duas não?”.  A angústia dela me fez comentar que, aos 23 anos, profissionalmente bem colocadas e com relacionamentos estáveis, temos problemas de gente grande. Existe fórmula numa situação como essa? Acho que o caminho ideal não é dizer

- oi, fulano, eu amo você, mas não dá mais. Além de um cara bom de cama e que me dê carinho, estou começando a incluir o critério do instinto nos itens que determinam a escolha do parceiro ideal, e meu instinto me diz que o papel de cuidar da prole em dupla, como fazem os casais de nossa espécie, não vai ser bem desempenhado por você.

Ui. Um soco no estômago e um fim de namoro nada convencional em se tratando de palavras, mas muito comum em se tratando de ações.

Eu, que nunca acreditei em pré-determinismo, e sempre fui convicta ao dizer que sim, que nós é que abrimos os caminhos e conseqüentemente somos responsáveis por aquilo que nos tornamos, agora acho que em alguns momentos é preciso assumir o papel de espectador. E vou atrás de uma metáfora com algo bem popular, a brincadeira do passa-a-bola.  “Lá vai a bola, girar na roda, passar depressa, e sem demora…

É preciso saber a hora de passar a bola pra vida. Ela resolve as coisas também. Entre caminhos e descaminhos, a vida às vezes pede para entrar na brincadeira, pronta para receber a bola. Não que isso, obviamente, nos tire a primazia da ação e o tal livre arbítrio. Mas a vida, o destino, Deus, o acaso ou sabe-se o que lá, vão construindo as circunstancias, criando os meios, preparando o terreno, o cenário. Os árabes diriam Maktub. Eu prefiro dizer que não estou sempre no controle.

***

Abaixo, segmento de entrevista que o poeta Ferreira Gullar concedeu à revista Bravo! no mês de fevereiro. Para continuar refletindo sobre a força do acaso.

Ferreira Gullar: (…) No fundo, a vida não passa de uma constante tensão entre acaso e necessidade.

Bravo!: Nada escapa desse binômio?

Ferreira Gullar: Nada. O que faz o homem sobre a Terra? Luta para neutralizar o acaso. Eis a principal necessidade humana: driblar o imprevisível, a bala perdida. Concebemos Deus justamente porque buscamos nos proteger da bala perdida. Deus é a providência que elimina o acaso. É o antiacaso.




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